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ONU: Conselho de Segurança vai debater futuro de Timor-Leste pós-UNMISET

Por José Pestana, da Agência Lusa Washington, 13 Out (Lusa)

O Conselho de Segurança das Nações Unidas reúne-se quarta-feira para debater a situação em Timor-Leste e apreciar um relatório do secretário-geral da ONU, onde Kofi Annan alerta para a ajuda que continuará a ser necessário prestar ao país.

No relatório, entregue na passada sexta-feira, Annan salienta que, apesar dos "progressos notáveis" verificados em Timor-Leste, "a ajuda internacional continuará a ser indispensável" após terminar o actual mandato da missão da ONU, a UNMISET, em Maio de 2004, e convida os membros do Conselho de Segurança a estudar desde já os melhores meios para satisfazer essa necessidade.

De acordo com fontes da ONU, não é esperada qualquer tomada de decisão sobre esta questão, pois dados e sugestões concretas sobre as necessidades de Timor-Leste para a era pós-UNMISET só serão finalizados no início do próximo ano.

Contudo, a reunião poderá constituir um sinal indicador sobre a posição dos diversos países membros do Conselho de Segurança face à necessidade de mais ajuda para Timor-Leste e face às dificuldades que o país ainda atravessa.

No seu relatório, o secretário-geral aborda temas que vão desde as relações externas à situação económica do país, dando conta de sucessos mas também de dificuldades e insuficiências das autoridades timorenses.

Annan indica, por exemplo, que a nova polícia nacional de Timor- Leste (PNLT), que tem vindo gradualmente a assumir o controlo de várias zonas do país, tem sido acusada de "má conduta, envolvimento em actividades criminosas, suborno, excessivo uso da força e agressões físicas a cidadãos".

"A capacidade da PNTL para ganhar a confiança do povo vai depender de mais esforços para se fortalecer a disciplina e o cumprimento de normas internacionalmente aceites da actividade policial", diz o documento.

Acrescentando que "será necessária a monitorização da PNTL e das suas unidades especiais para promover o controlo, responsabilização e cumprimentos das normais internacionais de direitos humanos", o relatório refere que garantir a "efectividade, imparcialidade e responsabilização" da polícia de Timor continuará a ser "um desafio a longo prazo".

Deste modo, a policia timorense irá "provavelmente" continuar a necessitar de assistência após o fim do mandato da UNMISET, em Maio de 2004, observa Annan no documento.

No relatório a ser analisado pelo Conselho de Segurança, Kofi Annan exorta Timor-Leste e a Indonésia a resolver a questão das fronteiras e dos refugiados timorenses , algo que considera de "importância fundamental para a segurança a longo prazo e desenvolvimento dos seus povos".

No que diz respeito à função pública, o secretário geral da ONU afirma que, após terminar o mandato da ONU, "em várias áreas vitais a ajuda internacional continuará a ser necessária por algum tempo para assegurar que tarefas vitais serão cumpridas", ainda que "noutras áreas" os conselheiros civis estrangeiros estejam "cada vez mais a assumir em grande parte um papel de mentores".

Annan diz que os progressos na administração pública têm sido afectados pelos atrasos em fornecer conselheiros financiados bilateralmente, sublinhando que, para as 209 posições identificadas pelo governo como "cruciais", apenas chegaram a Timor-Leste 86 conselheiros.

O país, diz o documento, vai continuar a precisar de ajuda em áreas como finanças, justiça, administração interna, infra- estruturas, parlamento nacional e presidência.

Relativamente às investigações dos crimes graves ocorridos antes da
independência do país, o relatório observa que "a preparação das acusações relacionadas com os casos deverá precisar de pelo menos mais um ano depois da conclusão do mandato da UNMISET".

Fazendo notar que a grande maioria das pessoas indiciadas por crimes graves estão fora do país, Kofi Annan diz ser "essencial" que os inculpados sejam levados à justiça.

O documento sublinha que, no que diz respeito à segurança externa e
controlo de fronteiras, "a situação permaneceu na generalidade calma", depois dos ataques registados em Janeiro e Fevereiro deste ano.

Até final deste ano a presença militar externa será reduzida para 1.750 militares, recorda o documento.

A nível económico, o relatório adverte que o Produto Interno Bruto (PIB) sofreu uma contracção de 3 por cento em 2002/2003 e deverá sofrer nova queda de 2 por cento no presente ano fiscal.

Estas contracções "devem-se a várias razões", incluindo "o declínio das contribuições de doadores" e a redução da presença das Nações Unidas e consequência quebra nos negócios que essa presença gerou.

Koffi Annan conclui então que após o fim do mandato da UNMISET a "ajuda internacional vai continuar a ser indispensável" e apela ao Conselho de Segurança da ONU para "começar a considerar os melhores meios através dos quais as necessidades do país serão cumpridas após a retirada" da missão das Nações Unidas.

JP/ACC.

Lusa/fim

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