Voltar Para Página Inicial...
 :. Ações e Projetos
 :. Brasil no Timor
 :. Chrys Crhystello
 :. Créditos
 :. Crocodilos em Rede
 :. Cultura e Sociedade
 :. Destaque
 :. Endereços Úteis
 :. Filme
 :. Fotos
 :. Língua Portuguesa
 :. Livros
 :. Nossa Lista
 :. Olhar de Crocodilo
 :. Poemas de Crocodilo
 :. Reportagens
 :. Solidariedade
 :. Vivência Crocodilo
 :. Vídeos

   

Regina Brito

Desabafo

Timor Loro Sa’e é uma página nova: na vida dos timorenses e na vida daqueles que por aqui passam. Sempre é assim, quando um mundo que parece novidade se descortina à nossa frente – mundo que se mostra novo, ainda que seja a rua nossa de todo dia.

Estar aqui é assim: descobertas de cheiros, de histórias e de sussurros... Encontros barulhentos em ruas desordenadamente cheias de tudo: crianças, containeres, ambulantes, microlets, cambistas, cães... Reencontros esquisitos com cenas já vistas em outros sítios... Redescobertas inevitáveis de seres que nunca quisemos ser...
Estranhamente, estes homens, estas mulheres querem nos ouvir... Gostam de nossos sons... Sorriem, sinceramente, com nossa presença... Percebem o que falamos?... Precisam disso que, presunçosamente, parecemos lhes dar?

Talvez não haja resposta: calam-se, pois não seríamos capazes de entendê-los. Não pela dificuldade da língua – pobre de nós, que só falamos o português! – mas pela diferença de vida.
Penso muito no “Seu” João... “Seu”João Magno. “Seu” João de Ainaro. De um sorriso timorensemente dolorido, magnanimamente doce. Quem sou eu para dizer-se meu servo, “Seu” João? Quem sou eu para ensinar algo para quem sofreu a vida? Para esse que sabe o que é calar uma língua? Para quem conhece a verdade da fome? Para quem, de fato, já sentiu dor? Para quem experimentou a frieza de todas as montanhas? Quem sou eu para querer mexer numa existência tão próxima do sublime? Eu, sempre tão mesquinhamente eu mesma... ou nem sequer isso...

Participamos de uma missão de solidariedade. Que solidariedade é essa a nossa que carrega o peso de uma série de atos unitários? Egocentricamente solitários. Egoistamente solidários. Insuportavelmente solitários. Maquiavelicamente solidários.

Estar com aqueles homens e mulheres é a verdadeira solidariedade. Solidariedade de não ser só. Solidariedade de ser sol. Solidariedade de sorriso sincero. Solidariedade de querer todas as coisas. Solidariedade de cada palavra. Solidariedade de gestos contidos, mas reais. Solidariedade de esperar pelo outro. Solidariedade de vontade de vida.
          
“Seu” João, desculpe-me por essa violência camuflada de solidariedade.
          
“Seu” João e todos os outros joões e marias e ximenes e belos e gusmões... é que me pegam pela mão e me ensinam... A ter qualquer esperança. A olhar nitidamente em volta. A oferecer uma força silenciosa. A buscar uma fé. A ser povo de um país. A transformar palavras em atos. A acreditar que o outro pode ser bom. A tentar fazer-me um pouco gente.

Dili, 24/08/01

Página anterior

 
 

 Mais informações


Queimado Queimado,
mas Agora Nosso!

ROSELY FORGANES
Ler Críticas


Filme
Timor Leste
O massacre que o mundo não viu

Compre Diretamente
novo

Todos os direitos reservados
Melhor visualização: 800x600 - Internet Explorer 5.0 (acima)
webmaster@timorcrocodilovoador.com.br