| Onde e quem faz as primeiras
leis da RDTL
O Parlamento Nacional da RDTL[1] funciona num edifício
situado na parte de trás do Palácio do Governo, construído
durante a ocupação indonésia, no tempo do então
governador, Abílio Osório Soares.
Na rua larga e ensombrada por enormes árvores destacam-se
mesmo em frente três gigantescos gondoeiros, de troncos retorcidos
e cujos ramos altos e frondosos se entrelaçam que protegem
a entrada principal. Um gradeamento que isola a zona envolvente,
destinada a parque automóvel, deixa antever os seguranças
e pessoal da recepção sob as arcadas, semelhantes
às do palácio do Governo. A construção
poligonal rematada no beiral por triângulos invertidos e o
branco de toda a construção dá-lhe um ar algo
exótico, sobretudo a quem está mais familiarizado
com a arquitectura portuguesa...
O edifício alberga na zona de alpendre, os serviços
administrativos e as salas de reuniões, onde funcionários/as,
e deputados/as, depois das sessões plenárias recebem
aulas de Língua Portuguesa. Contudo, registe-se que as instalações
existentes são insuficientes para as reuniões das
doze bancadas parlamentares.[2]
A sala inicialmente construída para ser um grande salão
de cerimónias oficiais e outras, como casamentos, foi adaptada
para a assembleia do PN pela Austrália e a decoração
com tais, de todos os distritos do país, lembra aos eleitos
a diversidade das várias localidades que representam. As
sessões decorrem em língua tétum havendo headphones
para todos, incluindo o público. Dois ecrãs de cada
um dos lados da mesa da presidência mostram grandes planos
dos oradores que estão sentados em frente da presidência
em secretárias alinhadas em várias filas e não
em anfiteatro como no hemiciclo da AR em Portugal.
Após os debates segue-se a votação. Cada deputado
ou deputada levanta um cartão com a cor de código
que deseja expressar, cartão vermelho para votar contra,
verde para votar a favor e azul para a abstenção.
Declarações de voto são frequentes de todas
as bancadas.
O actual PN, com mandato de cinco anos, é a continuação
da Assembleia Constituinte, constituída por 88 membros, 22
deputadas e 66 deputados, eleita em 30 de Agosto de 2001, e que
aprovou em 22 de Março de 2002 a primeira Constituição
da RDTL.
Um ano de experiência parlamentar, presidida por Francisco
Guterres “Lú-ÓLo” amadureceu a prática
interventiva dos seus membros, oriundos das três frentes de
luta: diplomática, clandestina e da guerrilha, que receberam
do presidente Xanana um elogio nesse sentido, a propósito
do debate que conduziram para a aprovação do Orçamento
de Estado 2003/2004.
No PN convivem duas gerações de timorenses: a mais
idosa, a maioria, oriundos de partidos formados antes e depois da
ocupação indonésia e com maior número
de deputadas, e a dos mais jovens com a maioria dos partidos políticos
de formação mais recente. Mas, ambos os grupos têm
pessoas com experiência de outros parlamentos nacionais como
de Portugal e Indonésia e/ou distritais de Timor no tempo
da ocupação. Porém, e apesar de diversificados
backgrounds para os membros do PN, a actual legislatura é
a 1.ª experiência na democracia politica do seu país
e por isso contam com a ajuda dos juristas portugueses Cristina
Ferreira, José Manuel Pinto e Luís Martins e ainda
o licenciado em gestão Carlos Noronha.
Lúcia Serralheiro, Díli, 17 /07/
2003.
[1] Os outros órgãos de soberania são: Presidente
da República, Governo e Tribunais.
[2] Os partidos representados no PN são: ASDT, FRETILIN,
KOTA, PD, PDC, PL, PNT, PPT, PSD, PST, UDC/PDC e UDT, e ainda um
deputado que exerce o mandato de INDEPENDENTE. |