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A Língua Portuguesa e os estudantes da Universidade Nacional de Timor-leste

A Lusofonia voltou à cena depois da 1.ª feira do livro de Díli, desta vez no Parlamento Nacional de Timor-leste, no dia 10 de Julho numa das aulas de Português.

Os actores, estudantes do Curso de Licenciatura em Língua Portuguesa e Culturas Lusófonas do Prof. Sostenes, representaram o texto «Uma Língua e Diferentes Culturas» de Manuel Alegre, que encenaram em horário extra lectivo, apesar de serem trabalhadores-estudantes, alguns com cargos de muita responsabilidade na administração, como Domingas Fernandes, assessora do 1.º Ministro no Gabinete para a Promoção da Igualdade.

A peça iniciou-se com uma discussão sobre o conceito de pátria: o país onde cada um exerce o seu direito de cidadania, e também o conjunto dos povos em relação aos quais se tem um sentimento de pertença, neste caso através da mesma língua, como diz Fernando Pessoa «A minha Pátria é a língua Portuguesa», frase que o Instituto Camões, numa feliz síntese para a disseminação da Cultura Portuguesa publicitou em T-shirts pelos países associados na CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

A CPLP criada em 1993 por iniciativa do então, embaixador brasileiro, José A. de Oliveira empenhou-se em realçar o fortalecimento das raízes de cada país através da Língua Portuguesa. E foram esses países, que desfilaram em palco, alguns em trajes típicos femininos. Escutaram-se as diferentes vozes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné, Moçambique, Portugal, S. Tomé e Timor-leste, clarificando assim, que no falar entrecruzado das respectivas culturas persistem as raízes de uma mesma língua com a qual os seus falantes podem partilhar uma, já construída, identidade comum.

O texto encenado salienta de cada um dos diferentes países os respectivos autores de maior prestígio. Pena, é que, Manuel Alegre tenha apenas citado como mulheres de letras, Sophia de Mello Breyner Andresen, e esquecido todas as outras escritoras da CPLP, cenário, que aliás, se verificou na Feira do Livro de Díli, o que contraria as políticas de género que o governo de Portugal sistematicamente subscreve em resoluções internacionais.

É de registar o esforço da maioria dos professores e alunos da RDTL em aprender ou reaprender a língua portuguesa, nativos de uma pátria que lhes ensina à nascença falas tão diferentes: as línguas ou dialectos paterno e materno, (se estes não forem da mesma localidade e ainda a língua dos falantes onde moram, caso residam fora da terra onde nasceram). Muitos timorenses falam cinco línguas ou dialectos diferentes, mesmo os que nunca frequentaram a escola.

A independência trouxe-lhes, entre outras, as tarefas decorrentes da opção, da Língua Portuguesa, como língua oficial, a par do estudo e desenvolvimento do tétum, língua nacional, ambas a cargo do Instituto Nacional de Linguística. E tendo em conta a presença das Nações Unidas, a Constituição determina ainda como língua de trabalho a Língua inglesa. É pois, num contexto multilinguistico que entra a reintrodução do português.

A aula terminou com as informações do Adido para a Cooperação, Eng. Revez, que ao valorizar a dramatização dedicada à língua Portuguesa, citou ainda outro escritor Português, Virgílio Ferreira: «A minha Língua é de onde se vê o mar…» salientando o azul dos oceanos, como a ponte entre os falantes do português e anunciando que no próximo ano a Cooperação Portuguesa dará prioridade à formação de professores timorenses no domínio da Língua Portuguesa e no futuro, outras disciplinas, para que esta seja veículo de ensino de todas as matérias. Houve ainda tempo para um curto diálogo com os deputados e deputadas e no ar ficou uma nota de optimismo e boa disposição, que a arte do teatro proporciona.

Lúcia Serralheiro, Díli, 15/07/03

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