| A escolha cotidiana da língua
Francisco Figueiredo de Souza
Participante do projeto "Universidades em Timor"
Pra começo de conversa
Adoro aquele momento constrangedor que precede a primeira palavra.
O breve momento em que o idioma da conversa ainda não foi definido.
Um instante de dúvida, um primeiro round de estudo sobre o outro.
Vivo isso a todo momento. Quando vou falar com um timorense, tento começar
no tétum. Formalmente, temos aula dessa língua uma vez por
semana, mas os amigos nos ensinam algo novo todo dia. Acho que falar no
idioma local demonstra respeito à cultura. O problema é que
meus conhecimentos ainda não me permitem conversar mais de um minuto
sem pedir para trocar de língua. A opção pode ser
o português, o inglês ou a mímica.
Os casos mais graves estão ligados ao comércio. Nessa área
atuam pessoas que sabem ainda menos tétum do que eu. Comunicam-se
com a população timorense em indonésio, língua
que pouco conheço.
Comigo, viram a cara e desistem de vender.
Para falar com os "internacionais", o padrão é
acionar logo o inglês.
Mas vale a pena arriscar um português de vez em quando. Há
muita gente contrada pela ONU justamente por que fala nossa língua.
E o Brasil também está repleto de representantes. "Tropa?",
pergunta o taxista mais atento, quando reconhece meu sotaque. "Não,
professor", respondo. O contingente militar brasileiro é hoje
o maior da missão da ONU no Timor. Além dos soldados, trazemos
evangélicos, consultores da Capes, freiras, gente contratada pela
ONU, e mais um punhado de gente que se perdeu por aí.
E agora, nós. Dezoito jovens universitários de São
Paulo.
Francisco Figueiredo de Souza
Participante do projeto "Universidades em Timor"
Francisco Figueiredo de Souza
Participante do projeto "Universidades em Timor"
06/11/2004
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