Voltar Para Página Inicial...
 :. Ações e Projetos
 :. Brasil no Timor
 :. Chrys Crhystello
 :. Créditos
 :. Crocodilos em Rede
 :. Cultura e Sociedade
 :. Destaque
 :. Endereços Úteis
 :. Filme
 :. Fotos
 :. Língua Portuguesa
 :. Livros
 :. Nossa Lista
 :. Olhar de Crocodilo
 :. Poemas de Crocodilo
 :. Reportagens
 :. Solidariedade
 :. Vivência Crocodilo

   

Recordações de Timor
20 de Maio de 2004
(2º aniversário de Timor Lorosa’e)

Faz na próxima quinta-feira, 20 de Maio de 2004, dois anos que pelas 00 horas locais, em Tassitolo, Díli, 250.000 pessoas assistiram ao nascimento da mais jovem nação do terceiro milénio.

Foi uma cerimónia linda, cheia de ritual e emoção, que ainda hoje recordo com uma pitada de emoção e lágrimas de alegria. Finalmente, ao fim de 28 longos anos de massacres, torturas e destruição maciça (com a conivência de sempre dos mesmos senhores que se arvoram em defensores da democracia e da liberdade...), um Povo não quis ser esmagado e ergueu-se numa só voz como Nação livre e respeitada.

É sempre bom recordar aquele 20 de Maio de 2002 e aquilo que senti e vivi quando, ao som do “All Freddom”, a bandeira das Nações Unidas foi arreada do mastro onde flutuou durante três anos, foi dobrada com toda a solenidade e entregue a Kofi Annan.

As lágrimas brilharam, teimosas, nos meus olhos quando seis membros das Falintil, com toda a dignidade, passo bem firme, se dirigiram para o palco e ali entregaram a bandeira “preto, amarela e rubra” de Timor Leste aos seis membros das recém formadas Forças de Defesa de Timor Leste (FDTL) que, por sua vez, a confiaram a uma jovem — símbolo do Futuro que nascia — trajando o tradicional “Tais” colorido, como manda a tradição.

A bandeira foi içada, lentamente, no mastro principal marcando, assim, os primeiros minutos do Dia 1 da primeira nação livre e independente do século XXI.

Um enorme silêncio emotivo pareceu concentrar-se naquela terra mística. À volta da bandeira perfilavam-se as almas de todos aqueles que, abnegadamente, deram a sua vida para que Timor pudesse ser o País com que todos tinham sonhado.

Dois anos se passaram...

Das cinzas em que mergulharam Timor renasce agora a nova Nação...
As pessoas parecem outras, mais sorridentes e descontraídas; Díli já começa a mostrar uma certa organização, as ruas estão mais limpas e já se vêem polícias; já há sinaleiros nas principais esquinas a regular o trânsito; as Instituições já funcionam, o comércio tem crescido, as escolas abriram as suas portas, as crianças sorriem e a justiça já está a funcionar...

Os telefones, telemóveis e outros meios de comunicação já estão a operar sem dependerem da Austrália ou da Indonésia.
A energia eléctrica, embora precária e dependente do diesel que vem do exterior, já é uma realidade.

Os hotéis começam a receber turistas.

Deu-se inicio ao combate à pobreza e à ignorância. As Faculdades (Engenharia Técnica, Economia, Agricultura, Ciências Sociais e Políticas e Ciências de Educação) estão a funcionar, investindo, assim, o governo no Futuro do seu Povo e do seu País.

Nas povoações do interior notam-se, ainda, imensas carências especialmente no campo alimentar, transportes e de saúde que o governo vai atendendo na medida das suas possibilidades...
O Futuro vai-se construindo, passo a passo, com segurança e, principalmente, com abnegação e muita confiança.

Neste 2º aniversário da tua independência eu te saúdo, TIMOR, como Nação e sinto muito orgulho na tenacidade do teu Povo, meu irmão, que continua a não se vergar diante das vicissitudes da vida e dos grãos de areia que tentam pôr na engrenagem...

Parabéns, Timor Leste, parabéns Timor Lorosa’e.

Sonhar Timor...

Baía de Díli - Clique para Ampliar !
2004 – Timor – Baía de Díli1

Diz a lenda — e eu acredito — que, um belo dia, um crocodilo já cansado da vida se fez ao mar, levando no seu dorso um rapaz que o acompanhou na busca do disco dourado que todos os dias se levantava lá muito longe, para lá do horizonte...
Conta a lenda — e eu acredito — que esse crocodilo, ao chegar ao seu destino, se transformou dando origem à ilha de Timor.
O rapaz, já feito Homem, deu origem a uma Nação.

A lenda e talvez o simples facto de se viver em Timor ou viver Timor faz com que sejamos “apanhados” por uma espécie de mística ou feitiço que irradia desta Ilha (reparem que o que estou a escrever não são mais que “imagens” que sinto e que me são transmitidas pelo que ouço no dia a dia em minha casa, pelo que leio, por troca de impressões e fotografias enviadas por amigos e pelo que vejo em reportagens — eu nunca estive em Timor!)...

Aprende-se a amar um Povo, a identificarmo-nos com a sua maneira de ser e de estar na Vida, a partilhar as suas alegrias e tristezas, a sua dor e bem estar;

Aprende-se a conhecer as suas planícies, as montanhas sagradas, as praias paradisíacas, os corais, os peixes de mil e uma cores, os pássaros multicoloridos;

Aprende-se a sentir Timor como um país de sonho e encantamento, perdido entre planícies verdejantes, montanhas floridas e rodeado de um extenso mar da cor do céu;

Aprende-se a ver que as montanhas de Timor são rasgadas por precipícios que se espelham nas águas verde esmeralda do mar;
Aprende-se a compreender o Sol que, com os seus raios, desflora a terra vermelha de Timor calcinando-lhe as pedras, lançando fogo e luz sobre as planícies e os vales floridos...
Aprendemos, sobretudo, a sonhar...

Como é belo sonhar, estendidos na areia perfumada, tendo como companhia a mãe Lua que nos sorri na sua palidez irreal e, com o seu manto branco, nos embala com a suave melodia do mar...
Como é belo sonhar à sombra dos tamarindos em flor, aspirar a brisa ondulante dos extensos palmares, sentir o perfume inebriante do sândalo e dos cafezais, ouvir o ronronar suave das águas do mar quando se espreguiçam nas praias douradas...

E isto leva-me ao meu baú de recordações, à infância e à adolescência... as imagens, os cheiros, os pôr do sol a que se seguiam as noites misteriosas, sensuais, escuras com as estrelas a brilharem em alucinações estranhas...

Timor - Díli - Clique para Ampliar !
2004 – Timor – Díli2

O suave aroma das acácias rubras que ladeavam as largas avenidas e o cheiro das rosas do meu quintal cujo aroma atraía as abelhas das redondezas...

Timor - Acácias Rubras - Clique para Ampliar !
2003 – Timor – Acácias Rubras3

Ouço, ainda, o latir do velho Tejo — o meu cão — a pedir uma carícia no seu focinho húmido, quando me sentia chegar da escola...

Lembro o cantar dos tokés4 que povoavam os tectos das nossas casas, à caça de pequenos insectos ou que corriam pelas árvores.
Timor - Toké - Clique para Ampliar !
2003 – Timor – Toké
sarapintado5
Catatua - Clique para Ampliar !
Catatua
Lembro-me das cata-tuas, donzelas de branco, toucado amarelo e olhos de rubi. Ciumentas até dizer basta, palravam a mesma algaraviada dos papagaios...
Lembro-me dos loricos, de cores verde, vermelho e amarelo, cujo colorido me deslumbrava, e que se passeavam, sem medo, pelo meio das pessoas tecendo seus comentários no palrar das suas gargantas...
Timor - Lorico - Clique para Ampliar !
2003 – Timor – Lorico6

Deixo-me levar, deleitado, pelos cânticos das mais variadas aves que fazem a saudação ao Sol do dia a dia.

A Vida corre, sem preocupações, o Sol aquece, as sombras são tão doces e suaves...

A Vida é bela, e vive-se...

A Vida não é mais que a ânsia de viver, de sentir-se Vida em todo o seu êxtase de loucura, do sorver cada momento que passa...

Enquanto se vive... luta-se!

Quando a luta chega ao fim... a Vida acabou!

Depois...

Depois vem o descanso, o bem estar, o regresso às origens...

O mar, no seu vai e vem de milénios, continua a beijar a ilha em forma de crocodilo...

O Sol aquece...

O chilrear das aves anuncia um novo dia!

José Gomes
15 de Maio 2004


1 "Beiro" - barco de pesca treadicional (foto cedida por Carlos Semedo).
2 "Sagres Beach Bar" (foto cedida por Carlos Semedo).
3 Foto cedida pelo Prof. Almeida Serra.
4 Toké – Espécie de lagarto que se encontra em Timor e que emite sons que parecem dizer "tó ké".
5 Foto cedida por Maria Amado.
6 Foto cedida pelo Prof. Almeida Serra.

 

Página anterior

 
 

 Mais informações


Queimado Queimado,
mas Agora Nosso!

ROSELY FORGANES
Ler Críticas


Filme
Timor Leste
O massacre que o mundo não viu

Compre Diretamente
novo

Todos os direitos reservados
Melhor visualização: 800x600 - Internet Explorer 5.0 (acima)
webmaster@timorcrocodilovoador.com.br