| Ser Voluntário
OLÁ CROCOAMIGOS!
ANTES DE MAIS NADA, QUERO ANIMICAMENTE AGRADECER A TODOS AQUELES
QUE ENVIARAM VOTOS DE MELHORA DURANTE O PERÍODO EM QUE ESTIVE
COM MALÁRIA.
OBRIGADO DE CROCO-CORAÇÃO! REFLETI E APRENDI MUITO
DURANTE ESSE TEMPO, AGORA JÁ ESTOU PRONTO PARA OUTRA... QUE
ESPERO QUE NÃO ACONTEÇA, É CLARO! HOJE ESTIVE
VISITANTO UM AMIGO MEU TIMORENSE QUE JÁ ESTÁ NA SUA
TERCEIRA MALÁRIA SÓ ESTE ANO! E POR FALAR EM MALÁRIA,
O PADRE JOÃO FELGUEIRAS JÁ ESTÁ BEM MELHOR
DA MALÁRIA DELE. AGORA CHEGA DE FALAR EM MALÁRIA...
COMO DIA 5 DE DEZEMBRO FOI O "DIA INTERNACIONAL DO VOLUNTARIADO"
E EU FAÇO PARTE DESSA FAMÍLIA, GOSTARIA DE PARTILHAR
COM OS CROCOAMIGOS DA LISTA E/OU LEITORES DO NOSSO SITE UM POUQUINHO
DE MIM E DA MINHA EXPERIÊNCIA EM TIMOR.
O TEXTO A SEGUIR É UMA ADAPTAÇÃO DE UMA ENTREVISTA
SOBRE VOLUNTARIADO A UM JORNAL AÍ DO BRASIL (QUE ALIÁS
NEM SEI SE FOI PUBLICADA).
AINDA ANTES DO NATAL, NÃO PERCAM "AS COISINHAS DE TIMOR-15
QUE SERÁ SOBRE O "PROJETO MIKROLET" COM DIREITO
A FOTOS E ALGO MAIS...
ÓSCULO NA ALMA SABOR "APRENDIZADO A PARTIR DO SOFRIMENTO".
COISINHAS DE TIMOR - 14
TÍTULO: SER VOLUNTÁRIO
Quem sou eu?
Sobre por que ser voluntário no exterior...
“Sou cidadão do mundo” (Charles Chaplin).
Sou filho do Seu Joaquim e Dona Alcina (meus queridos pais); sou
filho de Pompéia-SP, Marília-SP, Assis-SP e Curitiba-PR
(minhas queridas cidades);
sou filho do Brasil (meu querido país); porém sou,
sobretudo, filho da humanidade, diante da qual as fronteiras geográficas
se diluem ao ouvirmos o “chamado anímico” para
partilharmos experiências com os nossos irmãos que
habitam esse vasto e único quintal chamado planeta-amor-terra.
Chaplin tinha razão...
Sobre antes de Timor Leste:
Sou professor de português já há 15 anos. Além
disso, estava envolvido também com teatro amador e, nos dois
últimos anos, fiz trabalho voluntário numa Fundação
de Meninos de Rua em Curitiba, cidade na qual moro desde 1993.
A experiência nessa Fundação foi de suma importância
como preparação “de vida” para o trabalho
que desenvolvo agora aqui em Timor.
Sobre a opção e a vinda a Timor Leste...
“Somente uma pessoa que corre riscos é livre”
(Alexander Lowen)
Confesso que só passei a me identificar com a causa de Timor
Leste após os incidentes de 1999, quando comecei a acompanhar
um pouco mais de perto a trajetória de sofrimento e superação
desse povo, cujo um terço da população foi
dizimado em 24 anos de ocupação indonésia.
Bastaram algumas reportagens e leituras para que eu percebesse que
o meu “chamado anímico” ecoava da metade de uma
ilha onde o sol nasce primeiro. A língua portuguesa também
foi um ingrediente importante desse chamado, já que a minha
formação é nessa área. Tencionava ir
para Timor em 2001, mas não foi possível. Em princípio
tentei, via internet principalmente, encontrar alguma organização,
através
da qual pudesse ir trabalhar como voluntário em Timor, mas
as tentativas não passaram disso mesmo... tentativas. Um
dia em agosto de 2002, após algumas mudanças de ordem
pessoal e profissional, olhei para o espelho e perguntei a mim mesmo:
“tá esperando o quê para atender a esse chamado?”.
Então resolvi correr o risco e vir por conta própria:
fui atrás de alguns papéis,
dispus-me de alguns bens materiais (motocicleta, bicicleta, aparelho
de som, etc) e dia 05 de dezembro estava embarcando para Timor.
Vale ressaltar a importância ímpar da Lista dos Crocodilos
(lista de discussão na internet sobre Timor Leste criada
pela jornalista brasileira Rosely Forganes).
Entrei para a lista em setembro de 2002 e, por intermédio
dela, fiz contato com crocodilos brasileiros, Levi e Simone, que
moravam em Timor e que me ajudaram muito quando da minha chegada.
Sobre sobreviver em Timor Leste...
Nos primeiros quatro meses recorri a recursos próprios.
A partir de abril, consegui trocar trabalho voluntário (meio
período) por casa e comida no Centro Juvenil Padre António
Vieira (CJPAV). E os gastos pessoais são cobertos por eventuais
aulas particulares de português que leciono no meu tempo livre.
Atualmente consigo pelo menos não dispor dos meus recursos
próprios para sobreviver em Timor, onde o custo de vida é
muito alto. Essa foi uma opção minha e, em nenhum
momento, arrependi-me dela.
Sobre a partilha em Timor...
“A consagração da partilha acontece
quando deixamos de caminhar ao encontro do outro
para caminhar ao seu lado” (guto santana)
Basicamente partilho minhas experiências em dois tipos de
atividades:
A primeira delas é com um grupo de crianças de um
bairro carente de Díli. Desenvolvemos (Nelson, voluntário
timorense; Fátima e Dulce, voluntárias portuguesas;
e eu) atividades semanais (que se alternam) de animação
sócio-cultural: leitura, projeção de desenhos
animados dublados em português, desenho, dinâmicas de
expressão cênica, grupo de percussão (utilizando
o corpo e materiais de desperdício), passeio à praia
(o preferido delas, é claro!), etc. A segunda delas é
“aulas de português” para um grupo de jovens do
bairro onde está inserido o CJPAV. Fora isso, existem outras
atividades pontuais do Centro, nas quais colaboro na medida do possível,
como por exemplo um “Sarau Cultural” que teve um pouco
de tudo: principalmente poesia, mas também música,
danças tradicionais, teatro e performances. Foi o primeiro
do gênero que organizamos aqui no CJPAV e, apesar do estranhamento
natural do público timorense no início, eles gostaram
e já pediram “bis”!
Enfim, estou aqui em Timor para que meus irmãos timorenses
possam aprender um pouco comigo e, principalmente, para que eu aprenda
muito com eles, pois afinal, como dizia Paulo Freire...
“Ninguém educa ninguém aprendemos todos em
comunhão”
A propósito da pergunta inicial...
...eu sou simplesmente um “ser voluntário”.
GUTO
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