Economia
Dados básicos
PIB: US$ 344 milhões
de dólares ( projeção para 2003)
Renda per capita: 478 dólares/ano
(estimada para 2001)
Principais produtos agrícolas:
café, milho, arroz, mandioca e batata-doce.
Desemprego: aberto é superior
a 45% da população acima de 15 anos. Cerca de 41%
da população está abaixo da linha de pobreza
(renda de US$ 0.55 por dia).
Condições gerais da economia
Pouco antes de 20 de maio de 2002, o Programa das
Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) publicou
o seu esperado Relatório sobre o Desenvolvimento Humano de
Timor-Leste. O documento demonstrou que Timor-Leste é o país
mais pobre da Ásia. O Índice de Desenvolvimento Humano
aplicável a Timor-Leste em 1999 era de 0,395, numa escala
que vai de zero a um. Este número dá-lhe o título
de país mais pobre da Ásia e colocava-o ao lado de
Ruanda, no 152º lugar entre os 162 países para os quais
se calcula o IDH. Para que se compreenda melhor o grau de subdesenvolvimento
de Timor-Leste, basta lembrar que, se o IDH de Timor-Leste era de
0,395, o do Brasil, em 1999, era 0,750 (69º lugar no mundo).
Para 2001, o IDH de Timor-Leste foi calculado em 0,421, sem que
o país perdesse o título de mais pobre da região.
No tocante ao IPH, o Índice de Pobreza Humana,
no caso de Timor-Leste ele é de 41.1, numa escala de 100
a 0, onde o Brasil figura com 12.9. Também pelo IPH Timor-Leste
é a nação mais pobre da Ásia. De fato,
os indicadores sociais do país são escandalosos:
57% da população são analfabetos;
a expectativa geral de vida é de 57 anos;
o índice de mortalidade infantil é de 8% dos nascimentos
vivos.
Menos da metade da população têm
acesso a água potável, o que facilita a difusão
de doenças. É alto o risco de contrair malária
e dengue, inclusive em sua versão mais grave, a hemorrágica,
que pode ser fatal, além da encefalite japonesa e das hepatites
A e B. (Vide seção 14, adiante). A maior parte dos
casos de malária e dengue é encontrada em Díli
e no extremo leste do país. Em todo o país, há
apenas um hospital, precariamente equipado, que se localiza em Díli.
As últimas estatísticas macroeconômicas
disponíveis de Timor-Leste referem-se a 1998, quando o PIB
foi de 390 milhões de dólares. De acordo com estimativas
das agências da ONU, o PIB timorense em 2001 ainda não
havia atingido o nível de 1998. A renda per capita, calculada
pelo critério PPP (purchasing power parity), é atualmente
de 478 dólares norte-americanos anuais.
A economia, porém, deu mostras de recuperação
desde o final de 1999. O comércio está crescendo,
estimulado pela presença da comunidade internacional e pelos
militares a serviço da ONU. Por uma das primeiras decisões
tomadas pela UNTAET, o dólar norte-americano foi, provisoriamente,
adotado como moeda oficial do país, até que os timorenses
resolvam definitivamente se haverão de ter ou não
moeda própria
A economia timorense é estruturalmente deficitária
no comércio exterior. Em 2001, Timor-Leste importou 260 milhões
de dólares e exportou apenas 6 milhões de dólares.
Este desequilíbrio somente é possível graças
aos ingressos de moeda norte-americana resultantes da presença
de funcionários internacionais e da atuação
dos grandes doadores, sejam eles países como Japão,
Austrália e Portugal, ou organismos internacionais, como
o Banco Mundial e o Banco Asiático de Desenvolvimento. O
orçamento anual da UNTAET no ano fiscal 2000-2001 foi de
560 milhões de dólares. Na Conferência de Tóquio
de dezembro de 1999, países doadores comprometeram-se a dar
contribuição a Timor-Leste da ordem de 523 milhões
de dólares. Entre 1999 e 2001, o Japão contribuiu
com 81,6 milhões de dólares de ajuda não-emergencial,
Portugal com 79,8 milhões de dólares, a Comissão
Européia com 65,6 milhões de dólares, a Austrália
com 45 milhões de dólares, os Estados Unidos da América
com 43,6 milhões de dólares e o Reino Unido com 15,8
milhões de dólares.
No quadro do comércio exterior timorense,
a Austrália é o maior exportador, com uma fatia de
48% do total em 2001, seguido da Indonésia e de Cingapura.
Entre os países que importam de Timor-Leste, o mais expressivo
é a Indonésia, com 21 % do total, seguida dos Estados
Unidos da América e da Austrália. Os comentaristas
econômicos acreditam que a Indonésia deslocará
progressivamente a Austrália da posição que
ocupa como maior exportadora, porque as exportações
australianas deveram-se muito à presença e a atuação
da UNTAET, que deixou de existir em 20 de maio de 2002, sendo substituída
pela UNMISET, missão de muito menor porte. Em condições
normais, a existência de uma fronteira terrestre entre os
dois países e a fragilidade da moeda indonésia diante
do dólar norte-americano e, portanto, os preços mais
competitivos dos produtos indonésios devem fazer com que
a médio e longo prazo os importadores timorenses orientem
suas compras para a Indonésia, recorrendo à Austrália
apenas para bens de maior sofisticação.
Timor-Leste importa tudo: alimentos, materiais de construção,
eletrônicos e vestuário, mas seu produto mais relevante
de exportação, o café, é responsável
por mais de 48% da receita das vendas ao exterior. As perspectivas
de que Timor-Leste possa diversificar e aumentar suas exportações
são extremamente baixas, pois o país praticamente
não possui indústrias, nem gera serviços exportáveis.
A grande esperança reside, portanto, no petróleo e
no gás, cujas receitas devem começar a entrar nos
cofres de Timor-Leste com maior vigor a partir de 2005/2006.
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