Geologia de Timor Leste: breve resumo
por
P. F. T. Kaul
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
Florianópolis, SC, Brasil
kaul@ibge.gov.br
Outubro/2004
As rochas e os sedimentos do Timor-Leste constituem dois domínios
geológicos: um, chamado de Autóctone, constituído
por rochas e sedimentos gerados “in situ” ; outro, designado
de Alóctone, composto por rochas formadas alhures, porém
transportadas às regiões onde atualmente se encontram
como conseqüência de intensas movimentações
tectônicas.
O Domínio Autóctone se distribui por todo o país,
inclusive no enclave de Oecussi. É predominante, entretanto,
na metade leste do território timorense (região que
se estende, aproximadamente, do meridiano que passa em Manatuto
àquele do ilhéu Jaco), tendo presença expressiva
no sudoeste deste território (áreas de Bononaro e
Ainaro e respectivas vizinhanças). Ele consiste numa sucessão
de diferentes tipos de rochas, formadas desde o Permiano Inferior,
há aproximadamente 280 milhões de anos, até
o Pleistoceno, há cerca de 2 milhões de anos, com
lacuna provável de tal formação de rochas no
período Cretáceo (intervalo aproximado dos 140 aos
70 milhões de anos). São folhelhos, intercalados por
calcários e, eventualmente, por arenitos, conglomerados e
lavas básicas. Integram-no, também, consistindo sua
porção mais jovem, depósitos quaternários
recentes: sedimentos fluviais e marinhos, além de recifes
corálicos elevados. Os sedimentos marinhos correspondem às
planícies costeiras, que dominam na costa sul do país.
Os recifes corálicos elevados são construções
calcárias constituídas principalmente por exoesqueletos
de corais, que ocorrem nas áreas de Baucau e Los Palos, bem
como no ilhéu Jacó.
O Domínio Alóctone corresponde a um “complexo
carreado” que se estende, principal-mente, no noroeste do
país – região de Balibo, Ermera, Dili, Aileu,
Laclubar, etc., ocorrendo também no enclave de Oecussi. Ele
é constituído por rochas metamórficas de baixo
e médio grau de metamorfismo, além de rochas ígneas,
formadas, todas elas, do Permiano Inferior, há cerca de 280
milhões de anos, ao Eoceno, há mais ou menos 50 milhões
de anos. Trata-se de xistos sericíticos, micaxistos com biotita,
anfibolitos, mármores, diversos tipos de calcário,
margas, brechas vulcânicas e rochas eruptivas.
Os bens minerais do país ocorrem em todo o território
nacional, correspondendo, em grande maioria, a ocorrências
cuja potencialidade não está ainda definida:
Minerais metálicos: cobre, chumbo/zinco, ouro, prata, manganês.
Minerais não-metálicos: talco, magnesita, fosforita.
Materiais de construção: rochas carbonáticas
(calcários, dolomitos e mármores), argilas, caulim,
areia, cascalho.
Combustíveis fósseis, na plataforma continental do
mar de Timor: petróleo e gás natural.
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Bibliografia:
- Gageonnet, Robert e Lemoine, Marcel (1958) - Contribution à
la connaissance de la géologie de la province portugaise
de Timor. Lisboa: Ministério do Ultramar, Junta de Investigações
do Ultramar.139 p. (Estudos, Ensaios e Documentos, 48)
- Atlas of mineral resources of the ESCAP region. Volume 17. Disponível
em http://www.unescap.org/publications. Acesso em 07 set. 2004.
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