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Ramos-Horta é transferido em estado grave

DA REDAÇÃO - FOLHA

Um dia depois de sofrer três ferimentos a bala em um ataque comandado por um militar exonerado em 2006, o presidente de Timor Leste, José Ramos Horta, foi levado ontem a um hospital de Darwin, na Austrália. Seu estado é grave. A Austrália, que responde pela metade do contingente da força de paz das Nações Unidas no país (1.600 homens), anunciou o envio de mais 200 soldados.
O atentado contra Ramos-Horta -que ganhou em 1996 o Nobel da Paz pelo papel na luta dos habitantes da ex-colônia portuguesa contra a ocupação pela vizinha Indonésia-, ocorreu no início da manhã de segunda-feira (noite de domingo no Brasil), quando homens armados em dois jipes metralharam a fachada da residência oficial, na capital, Dili.
O presidente fazia exercícios na frente da casa e foi atingido ao tentar fugir.
A troca de tiros entre os agressores e os seguranças do presidente deixou três mortos -um guarda-costas, um atacante e o ex-major Alfredo Reinado, que foi exonerado das Forças Armadas locais, com outros 600 militares, depois de liderar uma rebelião contra o governo, há dois anos. A razão expressa da rebelião foi a reivindicação de aumento salarial, mas os rebelados foram acusados de ligação com a Indonésia.

Estado de sítio
O premiê Xanana Gusmão que escapou ileso de uma emboscada semelhante, decretou estado de sítio por 48 horas, com toque de recolher em Dili, e disse que o ataque foi um "golpe de Estado fracassado". O vice-presidente do Parlamento, Vicente Guterres, foi nomeado presidente interino.
Ramos-Horta foi levado em um avião militar até o Real Hospital de Darwin, na Austrália. O presidente, que levou dois tiros no abdome e um no estômago, respira por aparelhos e está em coma induzido. "São ferimentos muito graves, especialmente a lesão no peito", relatou Len Notaras, diretor do hospital. "As próximas 24 a 48 horas nos dirão se houve progresso [no estado de Ramos-Horta]. Esperamos que as boas habilidades cirúrgicas daqui signifiquem que ele terá uma boa chance de recuperação", disse Notaras.
A situação em Dili está calma. "Sabemos que tudo pode acontecer, mas o clima é de tranqüilidade", disse à Folha o secretário executivo do Ministério do Trabalho e Emprego, André Figueiredo, que representa o Brasil numa reunião dos ministros do Trabalho da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).
As circunstâncias dos ataques ainda não foram totalmente esclarecidas. Autoridades não têm certeza se Reinado planejava, de fato, um golpe de Estado, já que uma ação para derrubar o governo acabaria reprimida pelos militares estrangeiros sob mandato da ONU. A força de paz está estacionada em Timor desde a retirada indonésia, em 1999. A soberania de Timor foi formalmente reconhecida em 2002.

Com agências internacionais

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