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Austrália envia mais 390 soldados e policiais a Timor Leste

da Folha Online

As tropas australianas de reforço chegaram nesta terça-feira a Timor Leste para fazer com que seja respeitado o estado de exceção instaurado após a tentativa de assassinato do presidente do país, José Ramos Horta, cujo estado de saúde é estável após ter ficado gravemente ferido.

"A situação na cidade continua calma, após uma noite sem incidentes", afirmaram fontes do Centro Nacional de Operações em Dili.

Um total de 120 soldados e 70 policiais chegou ao porto de Dili em lanchas que partiram da fragata HMAS Perth, ancorada perto da baía, e cuja tripulação de cerca de 170 membros também se somará aos quase 900 soldados australianos já posicionados no país.

Outros 200 militares australianos de unidades de reação rápida foram levados a Timor Leste em vários aviões C-130 para patrulhar a capital e outras localidades junto com os soldados da força internacional da Polícia das Nações Unidas, afirmou a cadeia australiana de rádio ABC.

Cerca de 1.600 policiais da ONU e mil soldados australianos participam das tarefas de busca dos vinte militares rebeldes que fugiram após atirarem em Ramos Horta perto de sua casa, e de tentar fazer uma emboscada ao comboio de veículos no qual estava Gusmão.

O líder dos amotinados, Alfredo Reinado, morreu no tiroteio com os seguranças de Ramos Horta, que levou ao menos dois tiros.

Recuperação

"A situação é normal e estável. Todos esperamos que o doutor José Ramos Horta supere em breve esta difícil etapa e lidere novamente o país", disse Gusmão, que escapou ileso do ataque, que classificou como uma tentativa de golpe.

O estado de saúde de Ramos Horta, que foi levado na segunda-feira de Dili para a Austrália para ser atendido, era estável nesta terça-feira, apesar de o diretor do Hospital Royal de Darwin, Len Notaras, afirmar que o presidente precisará passar por outras duas ou três operações.

"Teremos que retornar à sala de cirurgia, provavelmente nas próximas 24 ou 36 horas para fazer algum tipo de intervenção, mas agora seu estado é bastante estável", disse Notaras.

Ramos Horta, 58, foi atingido no pulmão direito, e embora consiga respirar sem a ajuda de aparelhos, continua ligado a eles e está em coma induzido, afirmou o diretor do centro hospitalar.

"Seu estado é muito bom, partindo da perspectiva de que consegue respirar por si próprio", declarou o médico.

Notaras acrescentou que as mudanças no estado de saúde do presidente, submetido a uma cirurgia que durou quase três horas na segunda-feira pela equipe médica do hospital Royal Darwin, poderão ser percebidas a partir de quinta-feira.

"(O presidente) continuará pelo menos até quinta-feira em estado de coma induzido, e até sábado ou domingo na UTI", disse o médico.

O diretor do hospital também afirmou que os primeiros socorros prestados pelos médicos australianos da base militar de Dili salvaram a vida de Ramos Horta e disse que o estado atual do paciente seria muito mais grave se ele não tivesse sido operado de urgência na segunda-feira.

"Acho que ele tem muita sorte por estar vivo", afirmou Notaras.

Antes de ser operado pelos especialistas do Royal Darwin, o presidente de Timor Leste e Prêmio Nobel da Paz em 1996 foi submetido a uma primeira operação de emergência em Dili, imediatamente após ter sido atacado enquanto fazia exercícios físicos.

Um dos guarda-costas de Ramos Horta ficou ferido e, além de Reinado, outros dois militares rebeldes morreram no tiroteio.

Segundo o ministro das Relações Exteriores australiano, Stephen Smith, que nesta terça se reuniu na cidade de Darwin com o chanceler timorense, Zacarias da Costa, cerca de vinte rebeldes, divididos em dois grupos de aproximadamente dez, teriam participado dos ataques contra Ramos Horta e Gusmão.

Na segunda-feira, o governo de Timor Leste declarou estado de exceção durante 48 horas em todo o país, incluindo o toque de recolher a partir das 20h (9h de Brasília).

"Obviamente, adotamos precauções em virtude de possíveis repercussões, mas pelo menos por enquanto há ordem", disse o chefe da Polícia de Dili, David Lawrry.

Com Efe

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