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Comunidade internacional compromete-se a apoiar o Timor

Lisboa, 11 fev (Lusa)

A comunidade internacional condenou os atentados registrados na noite do último domingo em Dili contra os chefes de Estado e de governo timorenses, e comprometeu-se a continuar a apoiar o desenvolvimento e a estabilidade de Timor Leste.

Homens armados tentaram matar o presidente José RamosHorta e o primeiro-ministro Xanana Gusmão, em dois ataques coordenados.

Em Paris, a França expressou a sua "mais viva emoção" em relação aos atentados e garantiu que vai continuar a apoiar os esforços da comunidade internacional para o desenvolvimento e estabilidade em Timor Leste.

O ministro das Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner, condenou "os ataques terroristas que visam, através do chefe de Estado e do primeiro-ministro, desestabilizar o país e pôr em causa os esforços de reconciliação que ambos fazem desde que foram eleitos (em 2007)" e desejou "um rápido restabelecimento" a Ramos Horta.

Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Sean McCormack classificou a ação contra o presidente e o primeiro-ministro timorenses como "uma tentativa de atrasar o relógio para os cidadãos de Timor Leste" e expressou a solidariedade dos Estados Unidos.

Também o governo espanhol condenou hoje "firmemente" a "tentativa de golpe de Estado" que ocorreu em Timor Leste e transmitiu, em comunicado, a sua solidariedade ao presidente José Ramos-Horta e ao primeiro-ministro Xanana Gusmão, reiterando "o seu compromisso de continuar a apoiar os esforços dessa república para consolidar as suas instituições e avançar no seu desenvolvimento econômico e social".

Por sua vez, o PSOE, o partido no governo na Espanha, manifestou "a repulsa mais energética" em relação ao "ataque contra a democracia de Timor Leste" e desejou a pronta recuperação do presidente Ramos Horta, alegrando-se pelo fato de o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, ter saído ileso.

Em Londres, o governo britânico condenou igualmente os atentados e apelou a que "a estabilidade seja mantida em Timor Leste".

"Estamos extremamente preocupados por tomar conhecimento dos ataques ao presidente José Ramos Horta e primeiro-ministro Xanana Gusmão", disse à agência Lusa um porta-voz do ministério das Relações Exteriores.

"Não pode haver qualquer justificativa para tais atos e esperamos que as autoridades consigam levar os responsáveis pelo ataque perante a Justiça e que a estabilidade seja mantida em Timor Leste", acrescentou.

Em uma atualização introduzida hoje nos seus conselhos de viagem, o governo britânico exortou os seu povo a viajar para Timor "apenas se for essencial devido à situação incerta em termos de segurança".

"Existe um risco de violência popular nas ruas como resultado" dos ataques, recomendando aos britânicos que ali se encontrem para evitar grandes manifestações e a manter-se a par dos desenvolvimentos.

O Reino Unido não possui representação diplomática neste país desde 2006, sendo responsável o embaixador britânico na Austrália.

O ataque contra Ramos Horta foi liderado pelo major Alfredo Reinado, que foi morto no incidente.

Ramos Horta foi ferido a tiro e teve de ser submetido a uma intervenção cirúrgica no hospital militar australiano em Dili e foi transferido para uma unidade de tratamento intensivo do hospital de Darwin, Austrália, onde foi sujeito a uma segunda operação.

De acordo com um integrante da segurança do primeiro-ministro, o tenente Gastão Salsinha, um dos peticionários que abandonaram as forças armadas em 2006 comandou o ataque contra Xanana Gusmão, que saiu ileso.

As duas tentativas de assassinato foram ainda condenadas pelo presidente da Comissão Européia, Durão Barroso, o chefe do governo australiano e o presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono.

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