| CAMPANHA ELEITORAL SEM VIOLÊCIA, MAS AGRESSIVA
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A campanha eleitoral para o segundo turno das eleições presidenciais no Timor Leste decorreu sem violência, mas com uma grande agressividade verbal e troca de acusações. Embora o candidato da Fretilin, partido que ficou cinco anos poder, Lu Olo, tenha vencido o primeiro turno com 27% dos votos, contra 21% de Ramos Horta, o Prêmio Nobel da Paz é o grande favorito.
Dos seis candidatos que não passaram para o segundo turno, apenas um, Manuel Tilman, apóia Lu Olo. Todos os outros se aliaram a Ramos Horta, inclusive o terceiro colocado, Fernando Lesama de Araújo, do Partido Democrático, uma das lideranças em ascensão no país.
Ramos Horta se apresentou como o candidato dos pobres e da reconciliação, dizendo que nada foi feito pelos mais pobres durante todo o governo da Fretilin. Ele conta também com o apoio de Xanana Gusmão e da Igreja, provavelmente a mais importante força política do Timor e já convidou o papa para visitar o país e selar a reconciliação entre os timorenses.
Lu Olo fez uma campanha de agressiva, de quem não tem nada a perder. Acusou Ramos Horta de não ter idéias próprias, de não declarar patrimônio, de utilizar as tropas estrangeiras atualmente no país em seu favor e de ser pior que Suharto. Suharto é o general que foi ditador da Indonésia desde 1965 e comandou a invasão e ocupação do Timor.
Mari Alkatiri, líder da Fretilin, chegou a dizer que com Ramos Horta na presidência, o Timor caminhava para um período de atraso e miséria. Lu Olo também acusou Ramos Horta de comprar votos no primeiro turno e garantiu que tinha um vídeo como prova e ia apresentar publicamente. Ele acabou nem dando queixa e até agora ninguém viu as famosas imagens.
Ramos Horta respondeu que ia acabar com o reinado de corrupção e nepotismo que um pequeno grupo que se apropriou da Fretilin- partido do qual ele foi um dos fundadores- e finalmente dar início a um período de prosperidade para o Timor. Segundo ele, a Fretilin, que teria criado e armado milícias privadas é responsável pela onda de violência que dura há um ano e levou o país à beira da guerra civil, com mais de 2.000 casas queimadas e 150 mil refugiados no próprio país.
A campanha foi mais baseada no que os próprios candidatos chamaram de “porta a porta”, reuniões de pequenos grupos, do que em grandes comícios, por razões de segurança.
Agora, a grande questão é o comparecimento às urnas. Os timorenses, que até hoje foram um dos povos que mais demonstrou civismo no mundo, com uma participação beirando os 90% num país onde o voto não é obrigatório.
Mas no primeiro turno, cerca de um terço dos eleitores deixou de votar, sem que se saiba exatamente porque.
ROSELY FORGANES,
Especial para RÁDIO METODISTA ON LINE |