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COMEÇA CAMPANHA PARA O SEGUNDO TURNO, MAS NENHUMA MEDIDA DE MAIOR TRANPARÊNCIA NAS ELEIÇÕES FOI ANUNCIADA

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O Timor se prepara, por enquanto sem muito entusiasmo, para o segundo turno das Eleições Presidenciais. O Tribunal de Recursos, equivalente do Supremo na jovem nação, validou os resultados do primeiro turno, apesar das mais de 150 queixas, denúncias e pedidos de anulação pura e simples do voto. Aconteceram incidentes isolados de violência entre miltantes de partidos em diversas regiões, mas de maneira geral, o povo timorense acatou o resultado com calma e serenidade.

Os dois candidatos, Lu Olo, da FRETILIN e Presidente do Parlamento e José Ramos Horta, Primeiro Ministro e Premio Nobel da Paz, já começaram a campanha. Segundo os dois, vai ser mais “ porta a porta” do que com grandes comícios e concentrações. O que, visto a situação potencialmente explosiva do país, é uma medida de bom senso.

Esta é primeira vez que acontece um segundo turno nas eleições preidenciais do Timor. Na primeira eleição, organizada pelas Nações Unidas em 2.002, pouco antes da independência do país, Xanana Gusmão venceu no primeiro turno com mais de 70% dos votos. O outro concorrente era Xavier do Amaral, considerado o primeiro presidente do Timor Leste, escolhido pela Fretilin e que tomou posse no dia 28 de novembro de 1975, quando foi declarada a independência pela primeira vez.

A maioria dos países nem teve tempo de reconhecer ou não, porque no dia 8 de dezembro as tropas indonésias desembaram em Dili, dando início a 24 anos de ocupação militar jamais reconhecida pela ONU e a maioria das nações.

Naturalmente, o jogo político já começou, com alianças entre os dois candidatos e os seis que não passaram para o segundo turno. Xavier do Amaral, o histórico e efêmero primeiro presidente do Timor é um deles, não mais pela FRETILN, mas pela ASDT, a Associação Social Democrata Timorense.

O jogo político, as alianças, negociações que estão começando, são perfeitamente normais e fazem parte da prática de qualquer democracia. O problema é que a Comissão Eleitoral, encarregada da organização do voto, não anunciou medidas para corrigir as centenas de - como eles próprios reconheceram, “erros primários”. Organizações de Direitos Humanos e luta pela democracia de vários países que participaram como observadoras, pediram mais transparência, para que os resultados sejam incontestáveis.

As Nações Unidas nomearam, desde outubro passado, uma Comissão de Alto Nível, para acompanhar e aconselhelhar todas as fases do processo eleitoral no Timor Leste.
Os especialistas são de Portugal, Zimbabue e Austrália e trabalham de maneira totalmente independente inclusive da própria missão da ONU no Timor.
Desde as primeiras fases da organização, como o recenseamento de eleitores, essa comisssão emitiu pareceres e conselhos- disponíveis na internet- que não foram seguidos pela Comissão Eleitoral, como está indicado nos relatórios dos especialistas internacionais.

Lendo as centenas e centenas de páginas dos relatórios fica claro – e mesmo previsível- porque aconteceram tantas falhas e problemas. O mais preocupante é que nenhuma mudança no processo eleitoral foi anunciada para o segundo turno.

A campanha já está começando. Mas, numa democracia, a transparência das eleições é mais importante que o resultado do voto.

ROSELY FORGANES,
Especial para RÁDIO METODISTA ON LINE

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ROSELY FORGANES
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