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PEQUENOS ERROS TÉCNICOS SEM MÁ INTENÇÃO OU UM ESCÂNDALO ATRÁS DO OUTRO?

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O primeiro turno das Eleições Presidenciais do Timor Leste, realizado dia 9 de de abril, ainda não tem nenhum resultado. Mais de uma semana depois da votação é que foi revelada a taxa de abstenção, que costuma ser a primeira a ser anunciada. Ela é de 24,44 %, segundo a Comissão Eleitoral. O que serIa normal para qualquer país, mas é altíssimo no Timor, onde o comparecimento às urnas beira os 90%. Num país onde o voto- repito quantas vezes for necessário- não é obrigatório. Nada menos de 127 mil pessoas não foram votar. 395 mil compareceram às urnas.

Nunca houve uma abstenção tão alta e ela levou oito dias para ser divulgada. Por que os eleitores não compareceram em massa às urnas, como em todas as eleições anteriores? Existem inúmeras denúncias de intimidação e atmosfera de terror, feitas pelos candidatos. Mas seria necessário ter um mapa detalhado de onde a abstenção foi mais forte, para saber se a causa foi essa.

Fernando Lesama Araújo, que chegou a estar em primeiro lugar e passou para terceiro, ficando fora do segundo turno, exije a anulação das eleições.
Enquanto isso, a Comissão Eleitoral está – ou deveria estar, pelo menos- julgando os 141 recursos e queixas contra o processo eleitoral.

A ministra Ana Pessoa, da Administração Estatal, membro da cúpula da FRETILIN, considera que não há nada grave. Ela admite a existência de “erros técnicos” mas afirma que não houve má fé. Isso é a Justiça Eleitoral que deve decidir, no caso, a própria Comissão que organizou as eleições. Ou, em última instância, o Tribunal de Recursos.

Enquanto a ministra se declarava satisfeita com o desenrolar das eleições, o Primeiro Ministro Ramos Horta, candidato que tem lugar assegurado no segundo turno conforme a contagem anunciada anteriormente, pediu que seja investigada uma denúncia que ele considera gravíssima. Membros do governo, inclusive do gabinete dele- que não pediram nada- teriam recebido passes que davam livre acesso a todos os locais de voto durante as eleições, inclusive os restritos.

Para o Prêmio Nobel da Paz e Ministro, o fato é demasiado grave e pode colocar em questão a própria validade das eleições. Ele afirmou ainda que os portadores desses passes- perfeitamente ilegais- podem ter exercido pressões sobre os eleitores.

Ao mesmo tempo, a jornalista e escritora Angela Carrascalão encontrou no lixo boletins de voto já impressos para a segundo turno, com Lu Olo, o candidato da Fretilin e Ramos Horta. A contagem não acabou e os recursos não foram julgados.

O que isso quer dizer? Ninguem sabe por enquanto. Pode ser que não seja nada, só propaganda antes da hora. Mas a essa altura...

ROSELY FORGANES,
Especial para RÁDIO METODISTA ON LINE

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ROSELY FORGANES
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