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PRA QUE SERVE UM PRESIDENTE

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A Comissão Eleitoral que organiza as Eleições Presidenciais no Timor Leste deveria ter anunciado os resultados nesta segunda feira e indicado os dois candidatos que passam para o segundo turno.

Mas não há resultado nenhum a ser anunciado. Em compensação, eles têm 141 recursos e reclamações para julgar. As irregularidades bateram recordes de surrealismo e afetam praticamente todos os distritos.

O problema de Baucau, segunda cidade do país, onde foram contabilizados 300 mil votos, mas onde há apenas 60 mil eleitores, já foi resolvido, segundo a Comissão. Foi um erro técnico. Anotaram o número de código do local de votação na linha dos resultados ou algo do gênero. Com erros grosseiros como este, o que se pode esperar do resto?

Mais grave ainda, continuam faltando 150 mil votos, num total de 522 mil. Ou seja, quase um terço dos votos sumiu.
A lista de irregularidades e erros é interminável. Mesmo assim, a Comissão não fala em anular as eleições.

A tendência é dizer que política é assim mesmo, que os políticos, em qualquer lugar no mundo, não têm jeito.
Mas no caso do Timor é muito grave. O presidente que vai ser eleito praticamente não poderes. Ele é uma espécie de guardião da democracia, de último recurso e representa o país no exterior.

Um país pequeno e pobre como o Timor- o mais pobre da Ásia- tem vivido essencialmente da ajuda internacional. Xanana Gusmão presidente, uma figura de projeção mundial, tantas vezes comparado a Nelson Mandela, foi o líder da resistência e o ídolo de todo um povo. No mundo inteiro, todas as portas se abriram para Xanana Gusmão e o que ele tinha a dizer. A legitimidade dele era absoluta. Vinha da luta, do povo e das urnas.

Um presidente escolhido em eleições duvidosas ou contestadas não terá a mesma legitimidade- seja quem for. E o pequeno Timor, uma jovem democracia construída com a ajuda da Onu, sob o comando de Sérgio Vieira de Mello, tantas vezes mostrada como exemplo, não pode se dar a esse luxo.
Como não tem poderes, mas fundalmente autoridade moral, o Presidente do Timor precisa ser inatacável, escolhido em eleições livres, limpas e transparentes.

Ou não adianta ter Presidente.

ROSELY FORGANES,
Especial para RÁDIO METODISTA ON LINE

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ROSELY FORGANES
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