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ELEIÇÕES LIGEIRAMENTE ILÓGICAS

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Eu vou contar uma cena e vocês vão ter que acreditar. Não apenas na minha palavra, é claro. Havia dezenas de jornalistas e observadores, nacionais e estrangeiros, embaixadores, rádio e televisão. Mesmo assim não é fácil.

O porta voz da Comissão Eleitoral do Timor, padre Martinho Gusmão anunciou que em Baucau, região da segunda maior cidade do país, foram contados 300 mil votos. O inconveniente é que Baucau só tem 60 mil eleitores registrados. Há cinco vezes mais votos apurados que eleitores.

Diante da insistência dos jornalistas, esses eternos chatos, o porta voz acabou admitindo que a situação era “ ilógica” e ele, que é padre, chegou a brincar dizendo que era um milagre. Foi o próprio padre Martinho que fez a piada, não os presentes.

“Ilógico”? É o mínimo que se pode dizer. O porta-voz está sendo modesto. Seis vezes mais votos que eleitores pode ser absurdo, delirante, loucura total e outros adjetivos que implicariam na responsabilidade pelos fatos.

No começo faltavam 120 mil votos em todo o país. Agora temos 300 mil onde só há 60 mil eleitores. Quando os jornalistas, esses eternos descontentes, insistiram em perguntar o total de votos de Dili, o Porta voz da Comissão que organiza as eleições disse que não sabia.

Mais tarde, o presidente da mesma Comissão, Faustino Cardoso, reconheceu que em muitos locais de votação os votos nulos eram superiores a 100%. Com os válidos isso daria quantos por cento?

Esses e outros absurdos- desculpe, resultados ilógicos- se repetiram por todo o país. Mesmo assim, a Comissão não fala em anular as eleições. TALVEZ eles apresentem os resultados nesta segunda, TALVEZ na sexta.

Mas, por favor, ninguém venha dizer que o povo timorense não sabe votar. Em 1999, quase 90% compareceram às urnas para votar pela independência, sabendo que podiam ser mortos por causa disso. Quase todos votaram com a trouxa nas costas. Depois de colocar o voto na urna, fugiram para as montanhas. Mas votaram. E o massacre já tinha começado.

A cada eleição, o comparecimento é de 90%, num país onde o voto não é obrigatório e metade da população é analfabeta. Esse povo merece mais respeito dos políticos e do mundo inteiro.

Ao falar do absurdo em que se transformaram as eleições presidenciais do Timor- desculpe, dos resultados ilógicos- deixem o povo timorense fora disso.

ROSELY FORGANES,
Especial para RÁDIO METODISTA ON LINE

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ROSELY FORGANES
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