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OS VOTOS QUE O GATO COMEU

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Cadê os quase 200 mil votos que estavam aqui? O gato comeu. Cadê o gato? Foi pro mato... Essa é uma brincadeira de criança, mas o nível das respostas que as autoridades responsáveis pela organização da Eleição Presidencial no Timor estão dando não fica devendo nada.

E não se trata de uma pequena diferença. De um total de 522.933 eleitores registrados, só foram contados 375.766. Onde estão 166. 167 votos? O gato comeu?
O eleitores timorenses têm dado uma lição de senso cívico ao mundo. A cada vez, o comparecimento beira os 90% num país onde o voto não é obrigatório e metade da população analfabeta.

Esses eleitores não votaram? Ou os votos deles foram abduzidos para o espaço? Se eles não votaram é muito sério. Nós estamos falando de cerca de um terço do eleitorado. Se eles não foram às urnas é porque podem ter sido vítimas de ameaças e intimidações. Se votaram e os boletins desapareceram, então, é crime.

Aliás, crime foi a palavra utilizada por Ramos Horta, Prêmio Nobel da Paz e Primeiro ministro para qualificar as irregularidades ocorridas. Ele, que não tem nada a perder, porque está certo de passar para o segundo turno, se juntou aos outros cinco candidatos e assinou uma carta pedindo o congelamento imediato da contagem. Essa carta, destinada à Comissão Eleitoral, denuncia inúmeras irregularidades, incidentes graves, além de “terror e intimidação” durante as eleições.

Ramos Horta chegou ao ponto de dizer que, como Primeiro Ministro, não pode compactuar com as ações de uma agência de estado, encarregada da organização das eleições. Há denúncias de urnas abertas durante a noite, sem a presença de nenhum fiscal, urnas encontradas “perdidas” em diferentes pontos do país.

A própria Comissão Nacional das Eleições reconheceu “ irregularidades muito graves”
A principal, o número de votantes não bate com o de votos. Eles também reconhecem o que eles mesmos chamam de “problemas muito graves em Dili” em 59 das 113 seções de voto. Simplesmente a metade. E isso na capital, onde o controle dos observadores estrangeiros, nacionais e da imprensa era muito maior.

A Comissão Eleitoral, que no começo tinha se recusado a parar a contagem, agora fala em “ repetição parcial da votação”. É difícil imaginar o que possa vir ser isto. Convocar os eleitores de certos postos de votação e os de outros não? Baseado em que critérios se a suspeita é geral e as denúncias de irregularidade em todo o país?
Os resultados ditos definitivos devem ser apresentados até domingo. Então os recursos serão aceitos e julgados.

O Timor não está longe de ter que anular as primeiras eleições realizadas por eles mesmos, como país independente. As outras foram organizadas pelas Nações Unidas, sem nenhum desses problemas.

E realizar outras como, com os mesmos organizadores, o mesmo pessoal acusado de irregularidades gravíssimas? É preciso lembrar que essas eleições eram a grande esperança do começo da reconciliação num país que está à beira da guerra civil há um ano.

ROSELY FORGANES,
Especial para RÁDIO METODISTA ON LINE

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ROSELY FORGANES
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