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O TSUNAMI DA FRETILIN

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O partido atualmente no poder no Timor, a Fretilin, tinha prometido um verdadeiro TSUNAMI eleitoral. Eu tenho a impressão que eles não entendem é nada de tsunami pra fazer uma comparação dessas, mas é melhor deixar pra lá...

Desde o primeiro dia eles garantiram que iam ganhar as eleições presidenciais no primeiro turno. O que, com oito candidatos concorrendo, não é nada fácil. Mas a Fretilin é um partido de massas que lidera toda a população do Timor. Segundo eles mesmos.

Eles fizeram as contas na ponta do lápis. A Fretilin tem 270 mil inscritos no partido. O total de eleitores é 523 mil. Até eu, que odeio matemática, sei de cabeça que isso dá maioria absoluta.

Além de tudo, a Fretilin foi o partido que mais fez comícios, com mais gente, em mais lugares do país. Passeatas, manifestações, tudo estava sempre lotado. É verdade que eles alugavam caminhões para transportar o pessoal, davam comida e segundo muitos, até dinheiro.
Os outros partidos denunciaram pressões da FRETILIN sobre os eleitores, incluindo ameaças de morte ou incêndio de casas em quem não votasse neles. Mas são denúncias...

O problema é que os votos estão sendo contandos, 30% até agora. Não só o candidato da Fretilin, Lu Olo, não está nem perto da maioria absoluta como tem fortes chances de não passar para o segundo turno. Quem está ganhando é Ramos Horta, candidato independente, seguido de Fernando Lesama Araújo, do Partido Democrático.

Na escola em que Lu Olo e Mari Alkatiri, presidente da Fretilin votaram, Ramos Horta teve 440 votos e Lu Olo 191. Numa outra, Ramos Horta ficou com 2.093 votos e o candidato da Fretilin com 144.

Como? Impossível. A Fretilin diz que está fazendo uma “ contagem paralela” e que eles têm 40% dos votos. O que é uma “ contagem paralela” num país democrático, com 200 observadores internacionais e 2.000 nacionais acompanhando? É a “ avaliação” deles. E os outros candidatos? Os votos dos outros eles não contaram, só os deles.

Os timorenses são um povo pobre, o mais pobre da Ásia. Lá, quem ganha menos de um dólar por dia, o padrão da ONU abaixo do qual se é miserável é classe média. Analfabeto. Mais de 50% não sabem ler nem escrever. Subnutrido, mais de 40% segundo a ONU. Sem emprego.

Mas a cada vez que votaram eles deram uma lição ao mundo. Em 1999, com o exército indonésio e as milícias já massacrando, 90% foram às urnas e 86,5% votaram pela independência. Sabendo perfeitamente o que ia acontecer. Nas eleições anteriores, com o Timor já livre, a participação foi próxima de 90%, num país onde o voto NAO é obrigatório.

Pois é. Os timorenses se filiaram à Fretilin, andaram de caminhão pra cá e pra lá, gritaram, comeram o arroz que foi distribído, eventualmente pegaram os trocados.

Mas votaram em quem quiseram.
A Fretilin já avisou que vai recorrer contra a fraude eleitoral.  

ROSELY FORGANES,
Especial para RÁDIO METODISTA ON LINE

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ROSELY FORGANES
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