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ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS COM OITO CANDIDATOS, EM CONTEXTO DIFÍCIL

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O Timor Leste acaba de votar nas segundas eleições presidenciais de sua história, mas as primeiras desde a independência, em maio de 2.002.

Das primeiras saiu vencedor, por maioria esmagadora e já no primeiro turno, Xanana Gusmão, o líder da resistência à ocupação militar indonésia que durou 24 anos e fez 300 mil mortos nessa pequena ilha que conta hoje com um milhão de habitantes.

Desta vez a situação é muito diferente, em todos os sentidos. As primeiras eleições, com apenas dois candidatos,  foram organizadas pelas Nações Unidas, que através de Sérgio Vieira de Mello governava o país, totalmente destruído e incendiado quando os indonésios se retiraram em 1999.

Desta vez o Timor está numa situação caótica há um ano, em que a Polícia e o Exército, formados pelas Nações Unidas não apenas não funcionam como lutam entre sí. O resultado é a explosão da criminalidade num país onde a imensa maioria dos jovens não tem emprego nem perspectiva. Em um ano foram incendiadas cerca de 2.000 casas em Dili, a capital e cerca de 60 pessoas foram mortas.

Num país onde ninguém controla a segurança, velhas rivalidades, familiares, militares, tribais, regionais, vieram à tona e muitos timorenses viram as casas em que viviam há anos atacadas e incendiadas pelos próprios vizinhos. Com medo, muitos foram se refugiar em escolas, conventos, praças públicas, chegando a 160 mil “refugiados” dentro do próprio país.

Nessa situação de crise, o presidente Xanana, que praticamente não tem poderes, porque o regime é parlamentarista, obrigou o Primeiro Ministro Mari Alkatiri, do partido que tem maioria no Parlamento, a FRETILIN, a renunciar. Ele foi substituido pelo então Ministro do Exterior, Ramos Horta, Prêmio Nobel da Paz.

O governo timorense pediu reforço da ONU e atualmente 1.600 policiais de 41 países, sob a banadeira das Nações Unidas, estão no Timor, assim como 1.200 militares australianos e neo-zelandeses. 

Desta vez são oito candidatos à sucessão de Xanana Gusmão. O que aparece em primeiro lugar na contagem inicial é o ex-primeiro ministro Ramos Horta, seguido de Fernando Lesama Araújo, ex-dirigente estudantil que passou sete anos preso com Xanana Gusmão.  

Esses primeiros resultados são uma surpresa, porque o partido no governo a Fretilin, tinha previsto o que eles mesmos chamaram de um “ tsunami eleitoral” de Francisco Guterres, mais conhecido como Lu Olo, o nome que usava na guerilha.

Cerca de 200 observadores internacionais e 2.000 timorenses acompanharam a votação, que decorreu pacíficamente. O incidente mais sério não teve relação direta com as eleições. A juíza brasileira Sandra Silvestre, que trabalhou dois anos em Dili e representa o Brasil como observadora, foi assaltada no domingo à facadas, levando 50 pontos nas mãos e nos braços. Como a própria Sandra insistiu, foi uma fatalidade que poderia ter acontecido em qualquer lugar.

Se nenhum dos candidatos tiver 51% dos votos, será realizado um segundo turno dentro de algumas semanas.
 

ROSELY FORGANES,
Especial para RÁDIO METODISTA ON LINE

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ROSELY FORGANES
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