Voltar Para Página Inicial...
 :. Ações e Projetos
 :. Brasil no Timor
 :. Chrys Crhystello
 :. Créditos
 :. Crocodilos em Rede
 :. Cultura e Sociedade
 :. Destaque
 :. Endereços Úteis
 :. Filme
 :. Fotos
 :. Língua Portuguesa
 :. Livros
 :. Nossa Lista
 :. Olhar de Crocodilo
 :. Poemas de Crocodilo
 :. Reportagens
 :. Solidariedade
 :. Vivência Crocodilo

   

O Enterro

Dili, Timor Leste
FEVEREIRO 11, 2006

Neste mês de fevereiro estamos trabalhando aqui em um curso de português para os alunos da Faculdade de Medicina.

É muito interessante lembrar que esta é a primeira turma de médicos timorenses, curso que é fruto de um programa de cooperação com CUBA.

O curso se faz através de temas semanais e esta semana passada trabalhamos a cultura de Timor-Leste.
Decidi compartilhar cada tema com vocês que escrevem me perguntando como é a cultura de Timor e sobre seus hábitos. Acho que vocês vão gostar!

O ANTIGO ENTERRO EM BAUCAU

Antigamente, e ainda hoje, mas de forma menos visível, a vida dos timorenses orientava-se pela crença de que todas as coisas tinham uma alma igual à humana. Era o chamado animismo, que estava presente em várias tradições. Uma delas era o enterro.

No distrito de Baucau, quando alguém morria, as pessoas choravam sua morte angustiadamente. Os parentes eram logo avisados e toda gente ajudava a família: uns construíam a úmu omã, uma barraca de folhagem para onde o corpo do defundo era transportado; outros iam buscar uma árvore que cortavam à catanada e que, depois de tratada servia de urna. Coloca-se, depois, o defunto no caixão onde se punha também uma planta, borodali, misturada com cal que fazia de cola.

Antes de o colocarem no caixão, os filhos e os parentes tratavam o morto: lavavam-no, prendia-lhe tábua na cintura, untavam-lhe o cabelo com óleo de coco, apertava-lhe os braços com um pano e mulher e punham dois panos de homem, um por baixo e outro por cima. Para a alma não voltar para a casa, colocavam-se espinhos de piteira nas mãos. Quando a úma faga (a urna) estava preparada, colocavam-no lá de modo a ficar de barriga para o ar, transportavam o caixão para a úmu oma e só realizavam o enterro quando estava presente toda a família.

Os tufumata levavam espadas, carneiros, búfalos e cavalos. Os omarae levavam panos de homens (utorassi) e de mulher (rabiolo), cordões de mutiçala (gabá-ta’a), porcos, cestos de arroz ou dinheiro. Uma rapariga ia à frente e levava uma espada ou um pano. Ela entalava a espada na parede e o pano era colocado em cima da própria urna. Com esses produtos que eram trazidos, faziam uma espécie de mercado: os tufumata e os omarae trocavam os seus produtos. Era também antes do enterro que se pagavam dívidas antigas.

O caixão era, então, colocado numa padiola de bambu, a umo semanate. Os parentes do defunto passavam debaixo do caixão, erguido pelos cangalheiros, e fingiam abraçar as pernas do cadáver, como que pedindo desculpa pelas ofensas.

Punha-se em seguida o cortejo a caminho. Acendiam-se as velas. Chorava-se muito e a padiola era transportada aos empurrões. Segundo alguns, isso simbolizava a luta entre a vida e a morte. Para outros, queria provar-se se o morto ia bem-disposto e a rir-se.

Depois de o buraco estar pronto, colocava-se o morto lá dentro, sempre voltado para oriente. Havia um parente que avançava, fazia um discurso de elogio e pedia para as pessoas dizerem se o morto tinha dívidas para com elas ou não. Punham o caixão no buraco e os presentes e deitava-lhe um punhado de terra. Um homem esvaziava o tabaco, a cal, a areca e o bétele para a masca. Mais tarde os irmãos apareciam no cemitério com a panela, o prato, a colher e o copo do morto: partiam tudo e espalhavam os cacos sobre a terra fresca.

Passados dois ou três anos da morte, juntava-se alguns parentes: os omarae traziam um porco avermelhado e os tufumata um búfalo branco. As carnes eram cozinhadas em panelas diferentes. Segui-se um festim, onde os omarae só podiam comer carne de búfalo e os tufumata carne de porco. Esta festa era chamada alena-coruná (despedida).

Página anterior

 
 

 Mais informações


Queimado Queimado,
mas Agora Nosso!

ROSELY FORGANES
Ler Críticas


Filme
Timor Leste
O massacre que o mundo não viu

Compre Diretamente
novo

Todos os direitos reservados
Melhor visualização: 800x600 - Internet Explorer 5.0 (acima)
webmaster@timorcrocodilovoador.com.br