Jornalista
brasileira ganha maior condecoração do exército
no Timor Leste
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Jornalista brasileira
ganha maior condecoração do exército
no Timor Leste |
A jornalista Rosely Forganes, correspondente
internacional da Radio Eldorado, ganhou a Medalha do Mérito
Militar, a mais alta condecoração do exército
brasileiro, entregue anualmente por ocasião do Dia do Soldado,
comemorado em 19 de abril. A jornalista passa a fazer parte da Ordem
do Mérito Militar, cujo Grão Mestre é o Presidente
da República, no grau de Cavaleiro.
Rosely Forganes já tinha ganho o Prêmio
Vladimir Herzog de Jornalismo e Direitos Humanos em 2001 com a série
“Vozes do Timor” e a medalha Mídia da Paz em
2002 com s série “Crianças de um mundo novo”,
igualmente sobre o Timor.
A medalha do Mérito Militar é entregue
numa cerimônia solene em Brasília, comandada pelo Presidente
da República, mas a jornalista fez um pedido especial para
que fosse entregue no Timor Leste. onde se encontra atualmente pela
sétima vez desde 1999. “ Eu queria compartilhar o momento
e essa honraria com eles. Os militares brasileiros que se encontram
no Timor atualmente, o pelotão de Pernambuco, representam
todos os que passaram por aqui em missão de paz, desde os
dias difíceis de 1999, quando o país estava totalmente
destruído. Cada militar que esteve no Timor foi um verdadeiro
embaixador do povo brasileiro. Cada um honrou como nunca a bandeira
que carrega no braço. Estou falando do que conheço.
Dos dez pelotões que se sucederam no Timor
eu convivi com nove, pude não só acompanhar o trabalho
deles como, pelo meu trabalho de jornalista, acabei me transformando
em historiadora, a única que registrou o trabalho deles aqui,
desde o começo, estive em todas as regiões que eles
serviram.”
A tropa brasileira que se encontra o Timor Leste
em missão de paz é a que está mais distante
do Brasil, cerca de 22.000 km e onde o Hino Nacional brasileiro
é cantado mis longe do território nacional. A medalha
foi entregue pelo tenente-coronel Heimo Luna, comandante das tropas
brasileiras no Timor e pelo embaixador interino do Brasil José
Wilson
Moreira.
Rosely Forganes chegou ao Timor no dia 1 de outubro
de 1999, num avião militar de transporte de tropas do exército
francês, antes mesmo dos militares brasileiros, cobrindo a
chegada deles. Formada em História e Jornalismo, a repórter
escreveu um livro de 500 ps “Queimado queimado, mas agora
nosso. Timor, das cinzas à liberdade”, publicado pela
Editora Labortexto. Ela conta, como uma aventura, desde seu trabalho
como correspondente de guerra como a reconstrução
do país, passo a passo, com especial destaque para a participação
dos brasileiros, de Sérgio Vieira de Mello, administrador
do território em nome das Nações Unidas aos
missionários evangélicos brasileiros, freiras da Pastoral
da Criança, funcionários da ONU, voluntários
e o exército brasileiro.
A Medalha do Mérito Militar é a mais
alta condecoração do exército brasileiro, poucos
são os civis a receber tal distinção, mais
raros ainda os que recebem diretamente tal honraria. Um militar
precisa de, no mínimo, 20 anos de serviço e possuir
duas outras condecorações como pré-condição
para receber a distinção. A medalha foi atribuída
pelo
trabalho da jornalista no Timor como correspondente de guerra, tendo
vivido no país totalmente destruído durante um mês,
como pelo acompanhamento que fez da reconstrução,
voltando todos os anos para retratar o nascimento da mais jovem
nação do mundo.
Na justificativa do mérito consta ainda o
trabalho que Rosely Forganes fez no Brasil, como verdadeira embaixadora
da causa do Timor Leste realizando exposições de fotografias,
palestras, participando da formação dos que iam para
o Timor, inclusive do próprio exército brasileiro.
Finalmente, foi considerada a maneira como a repórter retratou
o trabalho do exército brasileiro, que foi a única
a acompanhar desde o começo. “Foi preciso vir ao outro
lado do mundo para me reconciliar com uma parte do meu próprio
país e aprender a ter orgulho do exército”,
é uma frase de seu livro que causou muito impacto e foi citada
na maioria das resenhas, nacionais e internacionais.
“O exército brasileiro fez um trabalho
formidável no Timor - afirma a jornalista. Eu estava lá
quando eles chegaram, em meio às ruínas e o povo do
Timor, com lágrimas nos olhos, gritava “Brasil! Brasil!”.
Eles estão entre os mais queridos pela população.
Ao contrário de outros países que participam das Forças
de Paz, nunca, em mais de quatro anos, houve o menor incidente com
os brasileiros. Pelo contrário, eles
fizeram a escolta pessoal de Xanana Gusmão a pedido dele,
assim como do Prêmio Nobel da Paz José Ramos Horta.
Os médicos e dentistas militares, que acompanham o contingente
brasileiro, trabalharam como voluntários em clínicas
populares e ainda hoje tratam gratuitamente de toda a população
que os procura. Até 2.003, um destacamento ficava
em Batugade, uma das regiões mais difíceis e perigosas
do país, controlando a fronteira e a entrada de refugiados
em condições particularmente duras, isolados do mundo.
Houve momentos verdadeiramente heróicos, que os próprios
brasileiros desconhecem.
Também foi criada uma tradição que os timorenses
apreciam particularmente: nossos soldados dão aula de capoeira,
começando pelas crianças do bairro. Hoje a capoeira
está na moda no Timor, todo mundo quer aprender, até
os estrangeiros.”
Rosely Forganes é correspondente internacional
baseada na Europa ( Paris e Bruxelas) há 20 anos. Correspondente
da Rádio Eldorado de São Paulo desde 1991, trabalha
para a IstoÉ e várias outras revistas brasileiras,
como Terra, Marie Claire, Horizonte Geográfico, Ícaro,
Primeira Leitura; colabora com o jornal O Estado de São Paulo.
Já trabalhou para a Folha de São Paulo, Veja, BBC
de Londres, Radio France Internacional, Agência France Presse
e Agência ANSA.
Repórter acima de tudo, esteve em cerca de 50 países;
Europa, Europa Central, Oriente Médio, Africa do Norte e,
principalmente, a Ásia: Tailândia, Birmânia,
Camboja, Vietnã, Sri Lanka, Malásia, Brunei, Cingapura,
Filipinas, Indonésia, Nepal, Tibete, China, Índia.
Rosely Forganes esteve no Timor Leste sete
vezes desde 1999, quando foi o único fotógrafo brasileiro
a registrar a guerra, a intervenção militar internacional
de setembro/outubro de 1999, permanecendo no Timor totalmente destruído
durante quase um mês. A repórter voltou a cada ano
para acompanhar e registrar o processo de reconstrução
do país, sempre por períodos de um a dois meses. Em
2001 foi o único jornalista
de toda a América Latina a cobrir as primeiras eleições
livres da história do Timor, a posse e o início dos
trabalhos da Assembléia Constituinte e o começo do
primeiro governo exclusivamente timorense. Em abril de 2002, voltou
ao Timor para cobrir a primeira eleição para presidente,
que elegeu Xanana Gusmão. Em março de 2003 representou
oficialmente o Brasil na I Feira do Livro de Dili, lançando
no Timor o livro “Queimado queimado, mas agora nosso. Timor,
das cinzas à liberdade".
21/4/2004
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