FORÇAS
DE PAZ
Brasilienses patrulham o Timor
Fabíola Góis
Da equipe do Correio Braziliense
Díli (TIMOR LESTE) País
mais pobre da Ásia, cercado por 17 mil ilhas da Indonésia,
o TIMOR LESTE recebeu ontem 125 militares do Batalhão de
Polícia do Exercito de Brasília (BPEB) em missão
de paz. Ex-colônia portuguesa, o Timor lutou durante 24 anos
contra a ocupação da Indonésia e, desde 2000,
recebe ajuda da Organização das Nações
Unidas (ONU).
Parte do grupo, 75 homens, saiu de
Brasília há 20 dias. A segunda tropa,
com 50 homens, chegou ao Timor no sábado. Eles vão
substituir os 50
militares do 4º Batalhão de Polícia do Exército,
de Recife, que durante oito meses atuou na reconstrução
do país. A solenidade de troca de comando e contingente ocorreu
no Crocodilo Alley (campo em que estão alojados militares
de vários países, inclusive do Brasil), em Díli,
capital do Timor.
Os praças e oficiais de Brasília integram
a United Nations Mission of Support in East Timor (UNMiSET), a missão
de apoio da ONU que ajuda países em dificuldade. Durante
os oito meses em que ficaram em Díli, os militares de Recife
patrulharam as ruas, fizeram a segurança de autoridades e
investigaram crimes. Também testemunharam um país
ressurgir das cinzas, depois dos ataques e incêndios promovidos
pelos indonésios, em setembro de 1999. A estimativa das autoridades
locais é de que morreram 250 mil timorenses entre 1975 a
1999, em 13 distritos.
O capitão José Abinoan de Sousa Filho,
comandante do contingente brasileiro no Timor, avalia que a missão
foi um sucesso. ‘‘A tropa adquiriu uma experiência
muito grande durante a missão e voltará para casa
com muitos conhecimentos obtidos a partir da convivência com
tropas de outros países’’, afirma. O que mais
chamou a atenção do capitão foi a receptividade
da população timorense. ‘‘As crianças
acenam e cantam músicas brasileiras quando vêem a bandeira
do Brasil na farda’’, comentou, emocionado.
Português
Designado a comandar o novo contingente militar brasileiro
que desembarcou na ilha, o major Carlos Augusto Godoy Júnior
acha que a tropa de Brasília vai conseguir o mesmo resultado
dos colegas que estão voltando. ‘‘O brasileiro
é muito integrado ao timorense. A facilidade da língua
(alguns falam o português e dialetos) e os aspectos culturais
ligam os dois países’’, explica.
A comitiva de Brasília tinha oficiais da
Marinha e da Força Aérea. O coronel Nelson Calvoso
Pinto Homem, do Comando de Operações Terrestres do
Exército Brasileiro, e militar mais antigo do grupo, presidiu
a solenidade de substituição das tropas. ‘‘Segundo
autoridades civis e militares do Timor, o Brasil se destacou entre
as tropas presentes’’, disse o coronel.
Fronteira
A tropa de Brasília ficará dividida
entre Díli e a base militar de Moleana,
na fronteira com o Timor Oeste. Segundo o tenente-coronel Heimo
Guimarães de Luna, comandante do novo contingente brasileiro,
85 homens ficarão em Moleana e 40 em Díli. Junto com
militares de Bangladesh, Paquistão, Fiji e Austrália,
os brasileiros patrulharão a fronteira. ‘‘Os
militares marcam presença na fronteira e impediram qualquer
tentativa de ataque da Indonésia’’, explicou.
Ainda que predomine a paz entre os dois países,
a ONU entende que é cedo para deixar a região. Enquanto
a organização reduziu o número de capacetes
azuis (tropas de paz) no país, o Brasil foi o único
a ter sua tropa aumentada. A previsão é de que os
brasilienses voltem do TIMOR LESTE em dezembro.
Memória
Luta pela liberdade
O TIMOR LESTE permaneceu sob o comando português
durante 400 anos. A condição de colônia durou
até 1974, quando a Revolução dos Cravos acabou
com a ditadura em Portugal. Com o início do processo de descolonização,
surgiram as dissidências entre os timorenses que queriam a
anexação à Indonésia e os que defendiam
a independência. A guerra civil que surgiu desse conflito
foi o pretexto para o governo de Hagi Suharto mandar invadir o território
timorense, em 1975, anexá-lo como província no ano
seguinte e ocupá-lo por mais de duas décadas. Nesse
período, mais de 200 mil pessoas morreram.
A guerra só acabou quando a população
decidiu oficialmente optar pela
independência por meio de um plebiscito em 30 de agosto
de 1999 ,
organizado pelas Nações Unidas. Pela primeira vez
na história do território, mais de 450 mil timorenses
foram às urnas, e 78,5% deles aprovaram a independência.
Mas o exército indonésio não admitiu a derrota
e apoiou milícias que destruíram o restante da ilha.
A devastação foi tão grande que o Conselho
de Segurança da ONU interveio. Desde então, capacetes
azuis são enviados ao país. O primeiro grupo de militares
brasileiros partiu ainda em 1999.
Brasileiros
em ação no Haiti |
Da Redação
do Correio Braziliense |
Os militares brasileiros que participam da
Missão de Estabilização das Nações
Unidas no Haiti (Minustah) já estão atuando
nas ruas da capital, Porto Príncipe. Os soldados ajudaram
ontem a polícia haitiana a manter a ordem para que
os bombeiros pudessem controlar um incêndio que atingiu
mais de 50 lojas no centro comercial da cidade.
O último grupamento de brasileiros
embarca para o Haiti amanhã, completando 1,2 mil militares.
É o maior contingente enviado pelo país ao exterior
em missões de paz. O comandante da Minustah, o general
Augusto Heleno Ribeiro, afirmou recentemente que quando a
força ‘‘assumir a responsabilidade pela
zona de ação’’, amanhã, deve
operar com três mil soldados, brasileiros e de outras
nacionalidades. É menos da metade das tropas previstas
para a missão que substituirá os militares dos
Estados Unidos, França, Chile e Canadá.
Segundo analistas, os países latino-americanos
estão aproveitando a Minustah para mostrar sua força
regional. Além do Brasil, a Argentina enviará
um contingente de 600 homens. Paraguaios, chilenos e uruguaios
também participam da missão.
A primeira baixa brasileira ocorreu quarta-feira
em Porto Príncipe. O corpo do cabo da Marinha Rodrigo
Duarte Azevedo, 25 anos, deve chegar hoje de madrugada ao
Rio de Janeiro, em avião da Força Aérea
Brasileira, segundo a assessoria da Marinha.
O cabo sofreu parada cardíaca às
14h10 (15h10 em Brasília). Ele estava
perto da pista do aeroporto de Porto Príncipe, antes
de viajar para ser atendido na República Dominicana.
Azevedo não era integrante das forças de paz,
mas tripulante do navio Mattoso Maia, de desembarque de carros
de combate, que presta apoio logístico às tropas
brasileiras. A embarcação deve retornar ao Brasil
em 15 de julho.
|
24/06/2004
|