| Cestaria
Esta será talvez, juntamente com a tecelagem, a arte tradicional
mais característica e mais espalhada por todo o território
de Timor Leste, já que vários tipos de cestos continuam
ainda a ser usados no dia a dia nas suas múltiplas funções.
A explicação poderá estar na grande profusão
existente de uma espécie de palmeira – que em Timor
se denomina Acadiro – de onde é retirada a matéria
prima, tanto para o fabrico dos cestos como para a cobertura (telhados)
das casas tradicionais.
A folha de acadiro constitui um material flexível e maleável
mas que, depois de entrançada, adquire uma resistência
extraordinária, que permite o seu uso durante longos anos
sem se deteriorar.
Para o fabrico dos cestos, a folha da palmeira é - depois
de devidamente seca e tratada – cortada longitudinalmente,
à mão ou com a ajuda de uma faca, em tiras que podem,
eventualmente, ser tingidas. Normalmente, o tamanho destas tiras
varia entre um e dois dedos de largura, podendo depois a artesã
cortar tiras mais estreitas, consoante o tipo de objecto que pretende
criar e/ou os efeitos de cores ou desenhos que pretende incluir.
De entre os cestos mais tradicionais contam-se o luh’u (usado
para guardar fruta, pão, etc.) o mama fatin (usado para guardar
e servir o betel, areca e cal, cuja mistura compõe a masca)
o lafatik (geralmente usado no processo de selecção
do arroz ou do milho) o boote (usado para o transporte das mais
variadas coisas e cuja tira as mulheres costumam prender à
testa) ou o tiu oan (usado para guardar tabaco e mortalhas - que
por vezes são substituídas pelas folhas da espiga
de milho). Outros artigos de cestaria tradicionais são os
tudon (chapéus típicos da zona de Manatuto), as bainhas
para facas ou adornos como o kadai, embora hoje em dia exista uma
grande profusão de outro tipo de objectos para diferentes
usos como carteiras, porta-canetas, e até bolsas para telemóveis,
o que prova a flexibilidade de adaptação desta arte
aos tempos modernos.
Carmen Melo
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